Para quem desconhece do assunto é comuns confundir
a pessoa com paralisia cerebral e o portador de deficiência mental, por ter
dificuldade de comunicar-se, também o desgoverno dos movimentos e devido
articulação facial. Nesta perspectica Satow afirma que:
“Um dos
principais preconceitos que o Paralisado Cerebral sofre é o ser confundido com
portador de deficiência mental, por ter dificuldade de comunicação,
descoordenação motora, movimentos involuntários, imagem bizarra pelo tónus
muscular anormal, entre outras, conforme a região do cérebro afetada. A
Paralisia Cerebral é consequência de uma lesão do cérebro e não da coluna
vertebral, como vimos anteriormente, o que reforça a falsa ideia de que todos
os que portam esse tipo de deficiência são também portadores de deficiência
mental. Além disso, existe uma parcela de paralisados cerebrais que
efetivamente apresentam deficiência mental, o que reforça ainda mais o
preconceito. No entanto, essa incidência é muito rara.”
Além desta confusão, o Paralisado
Cerebral é atingido, por outros significados que lhe são atribuídos erroneamente,
como de doenças contagiosas e portador de alguma anomalia hereditária. Há
também a questão da imagem, pois estes não tem padrões de beleza estipulados
pela sociedade, provocando a quem os olha estranheza e repulsa de alguns.
O termo “Paralisia Cerebral”, dá
margem a atribuições erradas aos portadores da mesma, pois para quem não tem
informações sobre o assunto, pensa que na Paralisia Cerebral, o pessoa não
pensa e não tem ações, o que não é verdade, pois o Paralisado Cerebral pensa,
aprende e age dentro das suas limitações.
As pessoas portadoras desta
deficiência, dificilmente saem nas ruas, e levam uma vida dita “normal”, pois
possuem dificuldades para se locomoverem de um lugar a outro e sua comunicação
verbal na maioria das vezes não acontece de maneira clara, faltando-lhes meios
ou acessos a tratamentos adequados. Mas, há os que são notados pela sociedade e
que buscam o seu lugar na convivência diária, estes são vistos como “super-homens”,
o que na verdade não deixam de ser, pois buscam o seu lugar em uma sociedade
que os renegam, olhando-os de maneira desigual e quase desumana.
Os Paralisados Cerebrais, além de
travarem uma batalha diária com o mundo que os cerca, também travam com eles
próprios no que diz respeito a aceitar sua condição de portador desta
deficiência, admitindo muitas vezes o preconceito que carrega sobra si mesmo e
sobre o outro em uma situação de minoria, com isso este trabalha para uma
transformação pessoal e também social. Com isso, tomamos consciência que esta
luta por igualdade começa pela família, que desde muito cedo começa a enfrentar
o preconceito social. As famílias destas
crianças encontram dificuldades para encontrar apoio na sociedade. Para estas
famílias, a medicina salva e facilita a vida de seus filhos, mas a sociedade não
está preparada para recebê-los e acolhê-los.
SATOW, Suely Harumi. Paralisado
Cerebral: construção da identidade na exclusão. Cabral Editorial, Robe
Editorial.
