Quando nos deparamos com a
Paralisia Cerebral, nos perguntamos na maioria das vezes, se indivíduo portador
da PC tem a capacidade de aprender e se a tecnologia contribui para que a aprendizagem aconteça de fato?
Com o passar dos dias a tecnologia tem
colaborado, cada vez mais, para o avanço das conquistas do ser humano em seus
diversos aspectos da vida. E não seria diferente com as pessoas com Paralisia
Cerebral, devido as suas limitações de comunicação oral e coordenação motora as
diversas formas tecnológicas vão sendo desenvolvidas para ater ou até mesmo
eliminar esta maneira de exclusão social e cultural. As novas tecnologias, vem
com o intuito de melhorar a qualidade de vida destas pessoas, tornando-as mais
participativas na sociedade.
As Tecnologias Assistivas, estão sendo
aprimoradas para que o desenvolvimento do Paralisado Cerebral seja bem
entendido e desenvolvido em seu processo de construção como ser humano bem como
no seu desenvolvimento cognitivo e motor.
A Tecnologia Assistiva no nosso país, é uma área
do conhecimento nova e muitas vezes usa-se o termo ajudas técnicas como equivalência.
Vale ressaltar que Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento de
características interdisciplinares, que envolve desde as metodologias
utilizadas nas áreas cognitivas até os instrumento usados na reabilitação
motora dos indivíduos, o objetivo é que tudo funcione da melhor maneira
possível, para que a pessoa que dela se utilizar tenha autonomia e insira-se
com mais clareza no meio social.
Seja qual for a dificuldade da criança com
paralisia cerebral, ela pode contar com diversas formas tecnológicas que irão
contribuir para amenizar as suas limitações, possibilitando desta forma, uma
maior socialização, integração e aceitação na sociedade.
O objetivo da tecnologia assistiva é proporcionar à pessoa portadora de deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação da comunicação, mobilidade, controle do seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, competição, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade. Podem variar de um par de óculos ou uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado.
Os estudos, sobre o assunto enfatizaram a
necessidade do envolvimento de profissionais especializados em diferentes áreas
do conhecimento para o trabalho com pessoas com deficiência para atender as
diferentes etapas dos serviços da Tecnologia Assistiva: avaliação e
identificação das habilidades e necessidades; prescrição e confecção dos
recursos; acompanhamento, bem como perceber necessidades de modificações destes
recursos durante a sua utilização. Para que essas etapas de serviços se
efetivem é necessário desenvolver estratégias de intervenção a fim de mediar o
uso dos recursos de Tecnologia Assistiva nos diferentes contextos (MANZINI e
SANTOS 2002; PELOSI, 2009).
A utilização da Tecnologia Assistiva na escola
depende não somente do recurso, mas também de um serviço que ofereça
estratégias para o seu uso, as quais deve serem observadas com cuidado,
apropriando-se aos poucos da limitações referentes aos alunos com deficiência. Por
meio de informações sobre aluno, os profissionais envolvidos e do ambiente é
possível estabelecer critérios para elaborar recursos com perspectivas deverão
atender de maneira mais clara possível, as necessidades especificas de cada
aluno com limitações e consequentemente assim, diminuir-se-á as taxas de
abandono dos recursos da tecnologia assistiva.
As soluções tecnológicas oferecem
possibilidades lúdicas, e são instrumentos mediadores entre a criança e o mundo
real. Vygotsky distingue dois tipos de elementos mediadores, os instrumentos e
os signos. A informática apresenta a perspectiva de trabalhar com os dois elementos,
tanto como instrumento, como o trabalho com os signos.
As soluções de acessibilidade inventadas e
empregadas para a melhoria na interação com o computador compreendem recursos
da Tecnologia Assistiva. Para Galvão
Filho e Damasceno (2000), os recursos de acessibilidade podem ser divididos em
três grupos:
1. Adaptações físicas ou órteses: As
adaptações físicas ou órteses são adaptações ou aparelhos fixados ao corpo da
pessoa e/ou utilizados por ela para possibilitar e facilitar a interação da mesma
com a máquina. 2. Adaptação de hardware: Enquanto que as adaptações de hardware
são aquelas feitas aos componentes físicos da máquina. No computador, por
exemplo, alguns periféricos, já em suas concepções e construções, são
idealizados e adaptados para serem utilizados por pessoas que possuem
determinada deficiência. 3. Software de Acessibilidade: Os softwares especiais
de acessibilidade são aqueles programas originados a partir das necessidades
especiais de uma pessoa com deficiência, elaborados e construídos com a
finalidade de viabilizar a interação dela com a máquina (GALVÃO;DAMASCENO, 2000, p. 147).
Com isso, os aparatos tecnológicos nos levam
diretamente ao processo de aprendizagem e ao desenvolvimento cognitivo das
crianças com Paralisia Cerebral, que significa uma abordagem no processo de habilitação
e reabilitação cognitiva onde se focaliza o desenvolvimento de habilidades
cognitivas como a obtenção de conceitos e a capacidade de apreender e dar
significado ao que vivenciam, processo estes que vão de encontro as vivências
sociais e culturais. Nesta perspectiva deve-se atentar para o desenvolvimento
da atenção, da memória, da orientação, da comunicação receptiva e expressiva.
Porém, estas formas de intervenção, na maioria
das vezes, são esquecidas no trabalho com a criança com paralisia cerebral,
pois os profissionais, na maioria dos casos, não têm um aporte teórico e
prático, pois estes não encontram-se preparados para atuarem com tais
limitações.
Por fim ao ser analisados os mais variados estudos
nacionais e internacionais de forma geral todos concluem que crianças e jovens
portadoras de Paralisia Cerebral, necessitam, primordialmente de estímulos para
que possam desenvolver e alcançar algumas habilidades e definir suas
potencialidades, minimizando assim as suas limitações. O paralisado cerebral,
mesmo com suas limitações e dependendo o grau de sua paralisia, pode
comunicar-se e aprender, contribuindo de maneira significativa para sua
aceitação na sociedade.
DAMASCENO, Luciana Lopes & Galvão Filho, Teófilo Alves. Recurso de acessibilidade. Disponível em <http://infoesp.vila.bol.com.br/recursos/recurso1.htm>. Acessado em: 28/10/2014
MANZINI, E. J. ; SANTOS, M. C. F. Portal de ajudas técnicas para a educação:
equipamento e material pedagógico para educação, capacitação e recreação da
pessoa com deficiência - recursos pedagógicos adaptados. 1. ed. Brasília: MEC,
2002. v.1.
VYGOTSKY, L. - Pensamento
e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988, 194 p.
