Definindo, Tecnologia
Assistiva como, toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a
finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa
portadora de deficiência. Seria a tecnologia destinada a dar suporte (mecânico,
elétrico, eletrônico, computadorizado, entre outros) a pessoas com deficiência
física, visual, auditiva, mental ou múltipla.
Esta terminologia foi
empregada por Romeu Kazumi Sassaki, num texto escrito em 1996 em que apresenta
razões para a tradução do termo “assistive technology” ser “Tecnologia
Assistiva” por que significa alguma coisa "que assiste, ajuda,
auxilia" seguindo a mesma formação das palavras com o sufixo
"tiva", já incorporadas ao léxico português. (SASSAKI, 1996)
Ao ser entrevistado pela
Revista Nacional de Reabilitação REAÇÃO (2012), o professor afirmou que:
O interesse pelo aspecto
inclusivo da educação começou em 1979, quando fui convidado para entrar no
movimento das pessoas com deficiência que exigiam mudanças da sociedade para
que ela se adequasse às pessoas. Graças ao movimento, passei a ver tudo pela
ótica da inclusão. Sou defensor da ideia de mudarmos a sociedade para que todos
possam fazer parte ativa dentro dela. Educação inclusiva é o conjunto de
princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino, para adequar
a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve
representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser
rejeitado pelas escolas. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento
em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado,
substituído ou acrescentado nas sete áreas de acessibilidade, a fim de que cada
aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de suas
inteligências. As áreas de acessibilidade são: arquitetônica (desobstrução de
barreiras ambientais), atitudinal (prevenção e eliminação de preconceitos,
estigmas, estereótipos, discriminações), comunicacional (adequação de códigos e
sinais às necessidades especiais), metodológica (adequação de técnicas,
teorias, abordagens, métodos), instrumental (adaptação de materiais, aparelhos,
equipamentos, utensílios, tecnologias assistivas), programática (eliminação de
barreiras invisíveis existentes nas políticas, normas, portarias, leis e outros
instrumentos afins), e natural (adaptação de logradouros naturais sem
prejudicar ou destruir o ecossistema).
Sabe-se que as novas
Tecnologias vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de
nossa cultura, tornando-se um recurso utilizado na inclusão e integração dos
portadores de algum tipo de deficiência, em especial, com o portador de
Paralisia Cerebral. A constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando se
refere a pessoas com dificuldades na comunicação (oral e escrita), na
funcionalidade e locomoção.
Através da tecnologia
assistiva, os portadores de deficiência podem interagir com o mundo, se
comunicando entre os pares, na busca constante do exercício da cidadania. Além
de que também se pode dispor de equipamentos que possibilitam uma maior
independência nas atividades diárias (AVDs) do cotidiano e da vida prática
(AVPs).
Para Capovilla, (1997, p.
31) as tecnologias assistivas referem-se a
uma área da prática clínica que tenta compensar de modo temporário, ou
permanente padrões de incapacidades ou de perturbações exibidos por pessoas com
severos distúrbios de comunicação expressiva, da fala ou descrita.
Para entender como se dá
o processo de aprendizagem em pessoas com algum tipo de deficiência nas escolas
Araújo e Omote (2005) entrevistaram 97 estudantes do curso de pedagogia, suas
percepções sobre a gravidade da deficiência física e a relação com o contexto
escolar. De acordo com os resultados os participantes atribuem o grau severo de
deficiência física e a necessidade de recursos adaptados para auxiliar na
aprendizagem desses alunos. Nesse contexto as tecnologias assistivas podem e
devem contribuir para facilitar a aprendizagem e auxiliar o professor nesta
tarefa.
Mello (2006) apresentou
um estudo sobre a utilização da tecnologia assistiva no Brasil e mostrou que na
Europa e América do Norte, o investimento é grande e pesquisas para desenvolver
novos produtos são realizadas com frequência. Já no Brasil, poucos são os
investimentos neste setor. Com isso, para a autora, os principais fatores que
contribuíram para a pouca utilização desses recursos eram: a ausência de
recursos financeiros para aquisição de dispositivos; o custeio insuficiente de
serviço de tecnologia assistiva por parte dos órgãos públicos; o
desconhecimento técnico de profissionais de reabilitação; e a falta de treinamento
específico para os profissionais.
REFERÊNCIAS
MELLO M. A. F. A
tecnologia Assistiva no Brasil. Anais
trabalhos apresentados no I Fórum de tecnologia e inclusão social da pessoa
deficiente e IV Simpósio paraense de paralisia cerebral. Belém, 2006.
CAPOVILLA ,
Fernando César (org.). Ciência cognitiva: teoria, pesquisa e aplicação - V.1,
n.1 jan/jun.1997. - São Paulo, USP-IP, 1997, p.31- 32.
SASSAKI, Romeu
Kazumi. Entrevista. Revista Nacional de
Reabilitação REAÇÃO. Edição n. 91.
2012. Disponível em: http://www.revistareacao.com.br/website/Edicoes.php?e=91&c=917&d=0 Acesso em 14 nov.
2014.
ARAUJO, R. C. T.
OMOTE, S. Atribuição de gravidade motora à deficiência física em função da
extensão do acometimento e do contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial. 2005. Edição, 11(2)
Postagem: Sandra D. Werlang

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