segunda-feira, 17 de novembro de 2014

TECNOLOGIA ASSISTIVA E APRENDIZAGEM



Definindo, Tecnologia Assistiva como, toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa portadora de deficiência. Seria a tecnologia destinada a dar suporte (mecânico, elétrico, eletrônico, computadorizado, entre outros) a pessoas com deficiência física, visual, auditiva, mental ou múltipla.
Esta terminologia foi empregada por Romeu Kazumi Sassaki, num texto escrito em 1996 em que apresenta razões para a tradução do termo “assistive technology” ser “Tecnologia Assistiva” por que significa alguma coisa "que assiste, ajuda, auxilia" seguindo a mesma formação das palavras com o sufixo "tiva", já incorporadas ao léxico português. (SASSAKI, 1996)

Ao ser entrevistado pela Revista Nacional de Reabilitação REAÇÃO (2012), o professor afirmou que:
O interesse pelo aspecto inclusivo da educação começou em 1979, quando fui convidado para entrar no movimento das pessoas com deficiência que exigiam mudanças da sociedade para que ela se adequasse às pessoas. Graças ao movimento, passei a ver tudo pela ótica da inclusão. Sou defensor da ideia de mudarmos a sociedade para que todos possam fazer parte ativa dentro dela. Educação inclusiva é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino, para adequar a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado nas sete áreas de acessibilidade, a fim de que cada aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de suas inteligências. As áreas de acessibilidade são: arquitetônica (desobstrução de barreiras ambientais), atitudinal (prevenção e eliminação de preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações), comunicacional (adequação de códigos e sinais às necessidades especiais), metodológica (adequação de técnicas, teorias, abordagens, métodos), instrumental (adaptação de materiais, aparelhos, equipamentos, utensílios, tecnologias assistivas), programática (eliminação de barreiras invisíveis existentes nas políticas, normas, portarias, leis e outros instrumentos afins), e natural (adaptação de logradouros naturais sem prejudicar ou destruir o ecossistema).

Sabe-se que as novas Tecnologias vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura, tornando-se um recurso utilizado na inclusão e integração dos portadores de algum tipo de deficiência, em especial, com o portador de Paralisia Cerebral. A constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando se refere a pessoas com dificuldades na comunicação (oral e escrita), na funcionalidade e locomoção.
Através da tecnologia assistiva, os portadores de deficiência podem interagir com o mundo, se comunicando entre os pares, na busca constante do exercício da cidadania. Além de que também se pode dispor de equipamentos que possibilitam uma maior independência nas atividades diárias (AVDs) do cotidiano e da vida prática (AVPs).
Para Capovilla, (1997, p. 31) as tecnologias assistivas referem-se a uma área da prática clínica que tenta compensar de modo temporário, ou permanente padrões de incapacidades ou de perturbações exibidos por pessoas com severos distúrbios de comunicação expressiva, da fala ou descrita.
Para entender como se dá o processo de aprendizagem em pessoas com algum tipo de deficiência nas escolas Araújo e Omote (2005) entrevistaram 97 estudantes do curso de pedagogia, suas percepções sobre a gravidade da deficiência física e a relação com o contexto escolar. De acordo com os resultados os participantes atribuem o grau severo de deficiência física e a necessidade de recursos adaptados para auxiliar na aprendizagem desses alunos. Nesse contexto as tecnologias assistivas podem e devem contribuir para facilitar a aprendizagem e auxiliar o professor nesta tarefa.
Mello (2006) apresentou um estudo sobre a utilização da tecnologia assistiva no Brasil e mostrou que na Europa e América do Norte, o investimento é grande e pesquisas para desenvolver novos produtos são realizadas com frequência. Já no Brasil, poucos são os investimentos neste setor. Com isso, para a autora, os principais fatores que contribuíram para a pouca utilização desses recursos eram: a ausência de recursos financeiros para aquisição de dispositivos; o custeio insuficiente de serviço de tecnologia assistiva por parte dos órgãos públicos; o desconhecimento técnico de profissionais de reabilitação; e a falta de treinamento específico para os profissionais.



REFERÊNCIAS

MELLO M. A. F. A tecnologia Assistiva no Brasil. Anais trabalhos apresentados no I Fórum de tecnologia e inclusão social da pessoa deficiente e IV Simpósio paraense de paralisia cerebral.  Belém, 2006.
CAPOVILLA , Fernando César (org.). Ciência cognitiva: teoria, pesquisa e aplicação - V.1, n.1 jan/jun.1997. - São Paulo, USP-IP, 1997, p.31- 32.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Entrevista. Revista Nacional de Reabilitação REAÇÃO.  Edição n. 91. 2012. Disponível em: http://www.revistareacao.com.br/website/Edicoes.php?e=91&c=917&d=0 Acesso em 14 nov. 2014.
ARAUJO, R. C. T. OMOTE, S. Atribuição de gravidade motora à deficiência física em função da extensão do acometimento e do contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial. 2005. Edição, 11(2)

 Postagem: Sandra D. Werlang

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