segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O PAPEL DA TECNOLOGIA JUNTO A CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL



As novas tecnologias vêm ampliando as possibilidades de intervenção e aprendizagem, não apenas no âmbito escolar, mas na sociedade. Os recursos tecnológicos oferecem possibilidades lúdicas, e são instrumentos mediadores entre a criança e o mundo real. Nesse sentido, Marta Kohl de Oliveira (1999, p. 26) afirma que mediação é “o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. A autora distingue, a partir da concepção de Vygotsky, dois tipos de elementos mediadores: os instrumentos e os signos.
A informática apresenta a possibilidade de trabalhar com esses dois elementos, tanto como instrumento, como os signos. Além disso, proporciona para a criança com paralisia cerebral um recurso de comunicação alternativa, favorecendo expressões significativas de pensamento, que por comprometimentos motores a sua linguagem oral (fala) e linguagem gráfica (escrita) encontram-se prejudicadas, mas a sua linguagem interna, ou seja, os seus pensamentos, ideias, sentimentos e desejos encontram-se em processo de construção.
Na visão de Vygotsky (1987) o processo de apropriação é vital para o desenvolvimento humano, tanto da ação, da linguagem e dos processos interativos, quanto na construção das estruturas mentais superiores. Este processo de interação com o mundo, através das experiências vividas, influencia determinantemente nos processos de aprendizagem da pessoa. Portanto as limitações da criança com paralisia cerebral evidenciam-se como barreiras para o seu aprendizado.
Segundo Galvão e Damasceno (2000), os recursos de acessibilidade podem ser divididos em três grupos:
1. Adaptações físicas ou órteses: As adaptações físicas ou órteses são adaptações ou aparelhos fixados ao corpo da pessoa e/ou utilizados por ela para possibilitar e facilitar a interação da mesma com a máquina.
2. Adaptação de hardware: Enquanto que as adaptações de hardware são aquelas feitas aos componentes físicos da máquina. No computador, por exemplo, alguns periféricos, já em suas concepções e construções, são idealizados e adaptados para serem utilizados por pessoas que possuem determinada deficiência.
3. Software de Acessibilidade: Os softwares especiais de acessibilidade são aqueles programas originados a partir das necessidades especiais de uma pessoa com deficiência, elaborados e construídos com a finalidade de viabilizar a interação dela com a máquina.
Ao oferecer possibilidades, através dos recursos tecnológicos, é possível fazer com que as crianças vivenciem experiências de uma forma diferenciada, minimizando os impedimentos. Nesse sentido, as crianças com paralisia cerebral podem experimentar a aprendizagem, interagindo e expressando desejos, sentimentos, conhecimentos e habilidades, pensando-se no processo de inclusão delas no sistema de ensino regular e na sociedade em geral.
Qualquer indivíduo que apresente alguma deficiência ou dificuldade quer seja motora, visual, auditiva, mental, e/ou comportamental pode contar no mundo moderno com a tecnologia que irá contribuir para amenizar as suas limitações ou impedimentos, favorecendo assim uma maior socialização, integração e aceitação na sociedade.
A criança com Paralisia Cerebral pode apresentar um desenvolvimento global que desafia os prognósticos clínicos. Diante da evolução tecnológica, é possível verificar que essas crianças possuem potencial que ultrapassam os limites até então definidos.

REFERÊNCIAS

DAMASCENO, Luciana Lopes. GALVÃO FILHO, Teófilo Alves. Recurso de acessibilidade. Disponível em:  http://infoesp.vila.bol.com.br/recursos/recurso1.htm. Acesso em 14 nov. 2014.
OLIVEIRA, Marta Khol de. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1999.
VYGOTSKY, L. - Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

Sandra D. Werlang



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