As novas tecnologias vêm
ampliando as possibilidades de intervenção e aprendizagem, não apenas no âmbito
escolar, mas na sociedade. Os recursos tecnológicos oferecem possibilidades
lúdicas, e são instrumentos mediadores entre a criança e o mundo real. Nesse
sentido, Marta Kohl de Oliveira (1999, p. 26) afirma que mediação é “o processo
de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. A autora distingue,
a partir da concepção de Vygotsky, dois tipos de elementos mediadores: os
instrumentos e os signos.
A informática apresenta a
possibilidade de trabalhar com esses dois elementos, tanto como instrumento,
como os signos. Além disso, proporciona para a criança com paralisia cerebral um
recurso de comunicação alternativa, favorecendo expressões significativas de
pensamento, que por comprometimentos motores a sua linguagem oral (fala) e
linguagem gráfica (escrita) encontram-se prejudicadas, mas a sua linguagem
interna, ou seja, os seus pensamentos, ideias, sentimentos e desejos encontram-se
em processo de construção.
Na visão de Vygotsky (1987)
o processo de apropriação é vital para o desenvolvimento humano, tanto da ação,
da linguagem e dos processos interativos, quanto na construção das estruturas
mentais superiores. Este processo de interação com o mundo, através das
experiências vividas, influencia determinantemente nos processos de
aprendizagem da pessoa. Portanto as limitações da criança com paralisia
cerebral evidenciam-se como barreiras para o seu aprendizado.
Segundo Galvão e
Damasceno (2000), os recursos de acessibilidade podem ser divididos em três
grupos:
1. Adaptações físicas ou
órteses: As adaptações físicas ou órteses são adaptações ou aparelhos fixados
ao corpo da pessoa e/ou utilizados por ela para possibilitar e facilitar a
interação da mesma com a máquina.
2. Adaptação de hardware:
Enquanto que as adaptações de hardware são aquelas feitas aos componentes
físicos da máquina. No computador, por exemplo, alguns periféricos, já em suas
concepções e construções, são idealizados e adaptados para serem utilizados por
pessoas que possuem determinada deficiência.
3. Software de
Acessibilidade: Os softwares especiais de acessibilidade são aqueles programas
originados a partir das necessidades especiais de uma pessoa com deficiência,
elaborados e construídos com a finalidade de viabilizar a interação dela com a
máquina.
Ao oferecer
possibilidades, através dos recursos tecnológicos, é possível fazer com que as
crianças vivenciem experiências de uma forma diferenciada, minimizando os
impedimentos. Nesse sentido, as crianças com paralisia cerebral podem
experimentar a aprendizagem, interagindo e expressando desejos, sentimentos,
conhecimentos e habilidades, pensando-se no processo de inclusão delas no
sistema de ensino regular e na sociedade em geral.
Qualquer indivíduo que apresente
alguma deficiência ou dificuldade quer seja motora, visual, auditiva, mental,
e/ou comportamental pode contar no mundo moderno com a tecnologia que irá
contribuir para amenizar as suas limitações ou impedimentos, favorecendo assim
uma maior socialização, integração e aceitação na sociedade.
A criança com Paralisia
Cerebral pode apresentar um desenvolvimento global que desafia os prognósticos
clínicos. Diante da evolução tecnológica, é possível verificar que essas
crianças possuem potencial que ultrapassam os limites até então definidos.
REFERÊNCIAS
DAMASCENO, Luciana
Lopes. GALVÃO FILHO, Teófilo Alves. Recurso
de acessibilidade. Disponível em: http://infoesp.vila.bol.com.br/recursos/recurso1.htm. Acesso em 14
nov. 2014.
OLIVEIRA, Marta
Khol de. Vygotsky – Aprendizado e
desenvolvimento um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1999.
VYGOTSKY, L. - Pensamento
e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
Sandra D. Werlang
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