terça-feira, 18 de novembro de 2014

TECNOLOGIA ASSISTIVA NA PARALISIA CEREBRAL



Quando nos deparamos com a Paralisia Cerebral, nos perguntamos na maioria das vezes, se indivíduo portador da PC tem a capacidade de aprender e se a tecnologia contribui para que a aprendizagem aconteça de fato?
Com o passar dos dias a tecnologia tem colaborado, cada vez mais, para o avanço das conquistas do ser humano em seus diversos aspectos da vida. E não seria diferente com as pessoas com Paralisia Cerebral, devido as suas limitações de comunicação oral e coordenação motora as diversas formas tecnológicas vão sendo desenvolvidas para ater ou até mesmo eliminar esta maneira de exclusão social e cultural. As novas tecnologias, vem com o intuito de melhorar a qualidade de vida destas pessoas, tornando-as mais participativas na sociedade.
As Tecnologias Assistivas, estão sendo aprimoradas para que o desenvolvimento do Paralisado Cerebral seja bem entendido e desenvolvido em seu processo de construção como ser humano bem como no seu desenvolvimento cognitivo e motor.
A Tecnologia Assistiva no nosso país, é uma área do conhecimento nova e muitas vezes usa-se o termo ajudas técnicas como equivalência. Vale ressaltar que Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento de características interdisciplinares, que envolve desde as metodologias utilizadas nas áreas cognitivas até os instrumento usados na reabilitação motora dos indivíduos, o objetivo é que tudo funcione da melhor maneira possível, para que a pessoa que dela se utilizar tenha autonomia e insira-se com mais clareza no meio social.
Seja qual for a dificuldade da criança com paralisia cerebral, ela pode contar com diversas formas tecnológicas que irão contribuir para amenizar as suas limitações, possibilitando desta forma, uma maior socialização, integração e aceitação na sociedade.
O objetivo da tecnologia assistiva é proporcionar à pessoa portadora de deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação da comunicação, mobilidade, controle do seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, competição, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade. Podem variar de um par de óculos ou uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado.
Os estudos, sobre o assunto enfatizaram a necessidade do envolvimento de profissionais especializados em diferentes áreas do conhecimento para o trabalho com pessoas com deficiência para atender as diferentes etapas dos serviços da Tecnologia Assistiva: avaliação e identificação das habilidades e necessidades; prescrição e confecção dos recursos; acompanhamento, bem como perceber necessidades de modificações destes recursos durante a sua utilização.  Para que essas etapas de serviços se efetivem é necessário desenvolver estratégias de intervenção a fim de mediar o uso dos recursos de Tecnologia Assistiva nos diferentes contextos (MANZINI e SANTOS 2002; PELOSI, 2009).
A utilização da Tecnologia Assistiva na escola depende não somente do recurso, mas também de um serviço que ofereça estratégias para o seu uso, as quais deve serem observadas com cuidado, apropriando-se aos poucos da limitações referentes aos alunos com deficiência. Por meio de informações sobre aluno, os profissionais envolvidos e do ambiente é possível estabelecer critérios para elaborar recursos com perspectivas deverão atender de maneira mais clara possível, as necessidades especificas de cada aluno com limitações e consequentemente assim, diminuir-se-á as taxas de abandono dos recursos da tecnologia assistiva.
As soluções tecnológicas oferecem possibilidades lúdicas, e são instrumentos mediadores entre a criança e o mundo real. Vygotsky distingue dois tipos de elementos mediadores, os instrumentos e os signos. A informática apresenta a perspectiva de trabalhar com os dois elementos, tanto como instrumento, como o trabalho com os signos.
As soluções de acessibilidade inventadas e empregadas para a melhoria na interação com o computador compreendem recursos da Tecnologia Assistiva.  Para Galvão Filho e Damasceno (2000), os recursos de acessibilidade podem ser divididos em três grupos:

1. Adaptações físicas ou órteses: As adaptações físicas ou órteses são adaptações ou aparelhos fixados ao corpo da pessoa e/ou utilizados por ela para possibilitar e facilitar a interação da mesma com a máquina. 2. Adaptação de hardware: Enquanto que as adaptações de hardware são aquelas feitas aos componentes físicos da máquina. No computador, por exemplo, alguns periféricos, já em suas concepções e construções, são idealizados e adaptados para serem utilizados por pessoas que possuem determinada deficiência. 3. Software de Acessibilidade: Os softwares especiais de acessibilidade são aqueles programas originados a partir das necessidades especiais de uma pessoa com deficiência, elaborados e construídos com a finalidade de viabilizar a interação dela com a máquina (GALVÃO;DAMASCENO, 2000, p. 147).

Com isso, os aparatos tecnológicos nos levam diretamente ao processo de aprendizagem e ao desenvolvimento cognitivo das crianças com Paralisia Cerebral, que significa uma abordagem no processo de habilitação e reabilitação cognitiva onde se focaliza o desenvolvimento de habilidades cognitivas como a obtenção de conceitos e a capacidade de apreender e dar significado ao que vivenciam, processo estes que vão de encontro as vivências sociais e culturais. Nesta perspectiva deve-se atentar para o desenvolvimento da atenção, da memória, da orientação, da comunicação receptiva e expressiva.
Porém, estas formas de intervenção, na maioria das vezes, são esquecidas no trabalho com a criança com paralisia cerebral, pois os profissionais, na maioria dos casos, não têm um aporte teórico e prático, pois estes não encontram-se preparados para atuarem com tais limitações.
Por fim ao ser analisados os mais variados estudos nacionais e internacionais de forma geral todos concluem que crianças e jovens portadoras de Paralisia Cerebral, necessitam, primordialmente de estímulos para que possam desenvolver e alcançar algumas habilidades e definir suas potencialidades, minimizando assim as suas limitações. O paralisado cerebral, mesmo com suas limitações e dependendo o grau de sua paralisia, pode comunicar-se e aprender, contribuindo de maneira significativa para sua aceitação na sociedade.

DAMASCENO, Luciana Lopes & Galvão Filho, Teófilo Alves. Recurso de acessibilidade. Disponível em <http://infoesp.vila.bol.com.br/recursos/recurso1.htm>. Acessado em: 28/10/2014
MANZINI, E. J. ; SANTOS, M. C. F. Portal de ajudas técnicas para a educação: equipamento e material pedagógico para educação, capacitação e recreação da pessoa com deficiência - recursos pedagógicos adaptados. 1. ed. Brasília: MEC, 2002. v.1. 
VYGOTSKY, L. - Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988, 194 p.

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